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Os artigos e fotos veiculados neste blog podem ser utilizados pelos interessados, desde que citada a fonte: GÖLLER, Lisete. [inclua o título da postagem], Mil e Um Horizontes (https://mileumhorizontes.blogspot.com.br/), nos termos da Lei n.º 9.610/98.

sábado, 25 de julho de 2026

África do Sul - Cape Town (Cidade do Cabo)

 

Cape Town vista através de um mosaico de recordações 

ÁFRICA DO SUL

A República da África do Sul localiza-se no sul da África, entre os Oceanos Atlântico e Índico. É um país que se destaca pela biodiversidade e pelo mosaico formado pelas diversas culturas, línguas e religiões. Adota 11 línguas oficiais, porém a mais falada é o inglês sul-africano usada na vida oficial e comercial do país. Embora seja uma república parlamentarista, adota uma forma diferente desta, pois os cargos de chefes de estado e de governo estão mesclados em um único presidente, o qual é dependente do parlamento. Com relação à história do país, o primeiro contato europeu foi com os portugueses, no Século XV, através do explorador Bartolomeu Dias, que circundou o Cabo das Tormentas, mais tarde chamado de Cabo da Boa Esperança. Em tempos não muito distantes, não se pode esquecer de mencionar o ‘apartheid’, o regime de segregação racial, que foi implementado em 1948, pelo primeiro-ministro Daniel François Malan, até o ano de 1994, que causou muitos conflitos. Por último, é interessante frisar que o país possui 3 capitais: Pretória (executiva), Cidade do Cabo (legislativa) e Bloemfontein (judiciária).


CAPE TOWN - CIDADE DO CABO

A cidade é o centro do poder legislativo do país, sendo sede do Parlamento Nacional. Localiza-se na baía da Table Mountain, uma extensa montanha rochosa, privilegiada pela beleza de seu porto natural, que fez dela um importante destino turístico. No começo de sua história, foi utilizada pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, como ponto de abastecimento, antes de os navios navegarem em direção ao oriente. Assim sendo, a cidade teve seu início, quando foi estabelecido o primeiro assentamento europeu permanente na África do Sul, que veio a a transformá-la num polo economico e cultural com a criação da chamada ‘Colônia do Cabo’. Essa condição existiu desde a sua fundação por Jan van Riebeeck em 1652, até o ano de 1806, quando foi ocupada pelos britânicos. A plena emancipação do Reino Unido só ocorreu efetivamente em 31/05/1961, quando se tornou uma república.


Vista parcial de Cape Town do alto da Table Mountain – Foto: Fernanda Göller

Saímos da cidade de Pretória, onde pegamos o voo para a Cidade do Cabo, através do Aeroporto de Johannesburg. Hospedamo-nos no Fountains Hotel, localizado no centro financeiro da cidade (City Bowl), de onde podem ser alcançadas facilmente as atrações dos demais bairros. No dia seguinte, visitamos a cidade a partir do centro.


BAIRRO CENTRO

Na região central, encontra-se a Prefeitura, na Grand Parade, a principal praça pública da cidade. O edifício histórico, no estilo eduardiano, inaugurado no ano de 1905, funciona apenas para eventos culturais e cívicos. É onde se encontra o famoso balcão de onde Nelson Mandela discursou em 1990.


O Prédio Histórico da Prefeitura de Cape Town – Foto: Lisete Göller

Balcão com a estátua de Nelson Mandela, local preferido para as fotos dos turistas – Foto: Lisete Göller

O Slave Lodge é um dos edifícios mais antigos da Cidade do Cabo. É um museu que tem como tema central "das injustiças aos direitos humanos". As exposições, no piso térreo, exploram a longa história da escravidão na África do Sul e, por meio das exposições temporárias e rotativas, abordam questões focadas na conscientização sobre os direitos humanos. As galerias superiores apresentam exposições de outros países, que apresentam peças de cerâmica e prataria.


O Museu Histórico Slave Lodge preserva a história da escravidão na África do Sul, a fim de conscientizar o público sobre os direitos humanos – Foto: Lisete Göller

Supresa: o Homem-Aranha fazendo uma performance no prédio da empresa ‘The Box’ em Cape Town – Foto: Lisete Göller
 
O Cape Town International Convention Centre representa a meca do turismo de negócios da cidade, tendo à frente a escultura ‘Olduvai’ do artista Gavin Younge – Foto: Lisete Göller

O Castelo da Boa Esperança é um forte militar, que foi construído entre os anos de 1666 e 1679, pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, em decorrência dos conflitos entre os Países Baixos e a Inglaterra; atualmente abriga o Museu Militar e o Museu Iziko – Foto: Lisete Göller

BAIRRO DE BO-KAAP

Percorremos algumas ruas do famoso bairro de ‘Bo-Kaap’, o bairro mais antigo da cidade, com casas muito coloridas e ruas de paralelepípedos. É também o centro da comunidade muçulmana. O bairro preserva as tradições culturais e religiosas dos descendentes de escravos dos colonizadores holandeses. Assim sendo, combina heranças da África, do Sudeste Asiático e dos Países Baixos.


Uma paradinha na revenda de carros de luxo Laude Classic Cars: o esportivo Nissan GT-R, ano 2000, pela ‘bagatela’ de 2.500.000 Rands sul-africanos (menos de 800 mil Reais)! – Foto: Lisete Göller

O bairro Bo-Kaap tem como característica as casas coloridas; na foto principal, está a Galeria de Arte Fotográfica, tendo acima a foto do corredor interno decorado com imagens; o prédio branco da mesquita se destaca pela fachada diferenciada; peças de arte no exterior de pequenas galerias e a máscara dourada numa sofisticada galeria se destacam pela técnica e pela beleza artística – Fotos: Lisete Göller

PRAIAS ATLÂNTICAS

No bairro das ‘Praias Atlânticas’, percorremos as orlas de Sea Point, Green Point e Camps Bay.


Percorrendo a orla de Sea Point – Foto: Lisete Göller

Na orla de Sea Point, (ao fundo, à esq.), o monumento que se refere a ‘Perceiving Freedom’ (Percebendo a Liberdade), uma escultura gigante de um par de óculos de sol; foi criada pelo artista Michael Elion e instalada em 2014, visando homenagear a resiliência de Nelson Mandela, com sua visão inabalável ao retornar da Ilha Robben, onde esteve preso – Foto: Lisete Göller

A praia do Green Point é onde se encontra o Estádio da Cidade do Cabo (ao fundo, e ao centro), entre a Table Mountain e o Oceano Atlântico – Foto: Lisete Göller

Camps Bay é uma das praias mais famosas da África do Sul, porém com águas geladas durante o ano inteiro. A vista das montanhas dos Doze Apóstolos, que se estende por 7 km, é uma explêndida moldura na paisagem.


Fernanda tendo ao fundo a badalada praia de Camps Bay, emoldurada pela cordilheira dos Doze Apóstolos – Foto: Lisete Göller

BAIRROS DO SUL

Nos subúrbios do Sul (Southern Suburbs): Hout Bay e regiões mais arborizadas, como Constantia (conhecida por seus vinhos tradicionais) e Kirstenbosch (onde fica o Jardim Botânico, que não foi visitado). 


Belíssima vista de Hout Bay (Hout significa Madeira), uma baía de Cape Town ou Cidade do Cabo, muito visitada pelos turistas, que oferece restaurantes, hotéis, praia de areia branca e passeios de barco; voltarei a esta baía, quando da narrativa sobre a Ilha das Focas – Foto: Fernanda Göller

No bairro de Constantia, fizemos uma visita à vinícola Groot Constantia, a mais antiga da África do Sul, cuja área foi adquirida em 1685, por Simon van der Stel, que era Governador do Cabo da Boa Esperança; na foto o pórtico de entrada – Foto: Lisete Göller

A vinícola produz vinhos brancos, como o Sauvignon Blanc e o Chardonnay, tintos como Shiraz, Merlot, Cabernet Sauvignon e o Pinotage, sendo este um cruzamento entre as uvas Pinot Noir e Cinsault, que foi criado na África do Sul. O Pinotage tem maturação de cerca de 16 meses em barris novos de carvalho francês. Possui aroma de frutas vermelhas, especiarias e chocolate.


O prédio histórico da Mansão Groot Constantia na arquitetura neerlandesa (holandesa) – Foto: Lisete Göller

A Adega Cloete é a adega principal da propriedade; detalhe do belo frontão executado pelo escultor alemão Anton Anreith – Foto: Lisete Göller

Prédio externo da propriedade, onde atualmente funciona o Jonkershuis Restaurant – Foto: Lisete Göller

Portão que leva aos vinhedos – Foto: Lisete Göller

Vista parcial dos vinhedos da Groot Constantia – Foto: Lisete Göller

Almoço no Blockhouse Kitchen, um dos dois restaurantes da vinícola – Fotos: Lisete & Fernanda Göller

Hora da degustação! 

O famosíssimo vinho doce de sobremesa Grand Constance, mundialmente famoso por ser o favorito de Napoleão Bonaparte, e que foi consumido diariamente durante o seu exílio na Ilha de Santa Helena entre 1815 os anos de 1821; produzido com a uva Muscat de Frontignan, apresenta cor âmbar, aroma de frutas secas (damasco e pêssego), mel e especiarias – Foto: Lisete Göller


TABLE MOUNTAIN

Nossa próxima atividade foi subir no alto da Table Mountain, através dos teleféricos, que giram internamente, para que os turistas tenham uma experiência do trajeto em 360 graus. A Table Mountain chega a ser um símbolo da cidade e, possivelmente, do próprio país. Dizem ser o Pão de Açúcar da Cidade do Cabo. É uma imensa montanha com 3 km de extensão e mais de 1.000 m de altura, que se estende na forma de uma mesa mineral, um platô, alinhada ao horizonte. No alto, há café, restaurante e lojinha de souvenieres. Funciona das 8h 30min às 19h. Ingressos no local ou pela Internet.


No caminho até o local de embarque, uma bela visão do Pico Cabeça de Leão! – Foto: Lisete Göller

O trajeto de ida ao Table Mountain utilizando o teleférico, desde a compra de ingressos à chegada ao topo – Fotos: Lisete Göller

Vista de Cape Town do alto da Table Mountain sob diversos ângulos e o trajeto de volta à estação do teleférico – Fotos: Lisete & Fernanda Göller

Uma parada para apreciar as belíssimas copas das árvores africanas que se projetam para o alto – Foto: Lisete Göller

WATERFRONT

Uma visita à Waterfront não poderia faltar no roteiro. Trata-se da área portuária de Cape Town, revitalizada com lojas, restaurantes, música ao vivo e uma vista incrível da Table Mountain. Pode-se fazer até mesmo um rápido passeio de barco.


Vista do porto de Cape Town ao final do outono – Foto: Lisete Göller

Outro ângulo do Porto de Cape Town – Foto: Lisete Göller

Cais visto do Aquarium Two Oceans – Foto: Lisete Göller

A roda gigante, Cape Wheel, inaugurada em 2011, permite apreciar a cidade, a orla marítima e as montanhas; localiza-se atrás do shopping e oferece 30 cabines com ar-condicionado, com passeios de 12 a 15 minutos – Foto: Lisete Göller
Passeando por Waterfront – Foto: Lisete Göller

Escadas coloridas em Waterfront – Foto: Lisete Göller 

Apresentação de sul-africanos durante o passeio – Foto: Lisete Göller

O Victoria Wharf Shopping Centre oferece uma variedade de lojas de marcas nacionais e internacionais, restaurantes e cafés. Está aberto das 9h às 21h.



Uma das entradas de acesso ao Victoria Wharf Shopping Centre e detalhes do interior – Foto: Lisete Göller

Mapa da África realizado de maneira magistral na entrada da loja de artesanato sul-africano (esq.), além de belíssimas peças existentes em seu interior – Foto: Lisete Göller

Jóias e África do Sul têm tudo a ver! – Fotos: Lisete Göller

Lojas de roupas, acessórios e perfumes; a Pichulik (acima, esq.) é uma marca de jóias e acessórios localizada em Cape Town; as peças são inspiradas na história e nas tradições africanas – Fotos: Lisete Göller

Um pouco da gastronomia: (acima, esq./dir.) restaurante de frutos do mar, com uma bela escultura à frente; restaurante grego e balcão com ostras vivas; (abaixo, esq./dir.) achamos uma Ladurée!; almoçamos no Willoughby que, apesar da especialidade em comida japonesa, escolhemos um Fisch & Chips no estilo inglês, que veio na frigideira, certamente para não precisarem lavar os pratos! – Fotos: Lisete Göller

PENÍNSULA DO CABO E CABO DA BOA ESPERANÇA

Num domingo, fizemos um passeio pela Península do Cabo, com destino ao Cabo da Boa Esperança. Percorremos a Chapman’s Peak Drive, uma estrada belíssima, serpenteando junto às altas falésias de um lado e, com vista magnífica do Oceano Atlântico, de outro lado. Situa-se entre Hout Bay e Noordhoeck (cidade litorânea a 35 km ao sul de Cape Town).


Chapman’s Peak Drive – Fotos: Julio Cerchiano Júnior

No cais do porto da Hout Bay, localizada a 20 km ao sul de Cape Town, partimos para conhecer a Duiker Island, ou Ilha das Focas, que se situa a 6 km ao norte da False Bay.


Partindo de Hout Bay, seguimos pelas águas agitadas pelo vento oeste da False Bay, até alcançar a Ilha das Focas; na volta, tivemos a sorte de encontrar um grupo de golfinhos durante o percurso! – Fotos: Lisete & Fernanda Göller
 
Vista belíssima da Ilha das Focas – Foto: Fernanda Göller

De volta ao porto de Haut Bay, seguimos pela estrada até a colônia de pinguins africanos na Boulders Beach ou Praia dos Pinguins. 


Fernanda na Praia dos Pinguins – Foto: Lisete Göller

Chegada à Praia dos Pinguins, lojinha e almoço no Seaforth Restaurant – Fotos: Lisete Göller

Os protagonistas da Praia dos Pinguins! – Fotos: Lisete Göller

Seguimos viagem até o Cabo da Boa Esperança, situado no Parque Nacional da Pensínsula do Cabo, sendo este o lugar onde os oceanos Pacífico e Índico se encontram. A paisagem é realmente deslumbrante, destacando-se pelas falésias, escaladas eternamente pelas ondas do mar. Historicamente, o cabo teve importância relevante para os marinheiros que o contornavam. Descoberto pelo navegador português Bartolomeu Dias, após dias de violentas tempestades, foi-lhe dado o nome de Cabo das Tormentas, mas passou a ser chamado de Cabo da Esperança, após compreenderem que, a partir dali, chegariam à tão esperada Índia.



Entrada do Parque Nacional da Península do Cabo; seguiu-se o percurso pela costa, depois a descida junto às falésias do Cabo da Boa Esperança, onde existe uma trilha para o alto, no lado esquerdo, para quem quisesse se aventurar – Fotos: Lisete & Fernanda Göller

Marcando presença na placa que identifica a chegada ao Cabo da Boa Esperança, local onde as filas são uma constante... 

Fernanda conseguiu uma foto sozinha!

Onde o Oceano Atlântico e o Oceano Índico se encontram – Foto: Lisete Göller

O amarelo dos líquens nas pedras dá um toque especial à paisagem marítima – Foto: Lisete Göller

Num dia de vento ameno e mar tranquilo – Foto: Lisete Göller

Um pit-stop no Cape Point Table Mountain National Park – Foto: Lisete Göller

Parada obrigatória na estrada: três babuínos no acostamento haviam cruzado o nosso veículo – Foto: Lisete Göller

AQUARIO DE CAPE TOWN

O Two Oceans Aquarium revela a vida aquática dos dois oceanos: o Atlântico, com águas geladas, e o Índico, com águas quentes e tropicais. A África do Sul se localiza entre esses dois oceanos. Além disso, a oeste circula a Corrente de Benguela, cujas águas são frias e não muito rápidas, as quais são implulsionadas pelos ventos alísios. Nessas condições, as águas são ricas em nutrientes, com um número de espécies não tão diversificado, mas com uma grande quantidade de peixes, o que resulta na pesca em larga escala comercial. A leste, circula a Corrente das Agulhas, que é quente e rápida, vinda dos trópicos. Isso vai repercutir num maior número de espécies, ou seja, na biodiversidade, mas o número de peixes é menor do que do lado oeste, resultando na pesca comercial em menor escala. O Aquarium localiza-se no Victoria & Alfred Waterfront na Cidade do Cabo, com horário de funcionamento das 9h 30min às 18h.


Uma das paradas do Ônibus Turístico é no Two Oceans Aquarium; na entrada, painéis explicam as diferenças das espécies que habitam os dois oceanos; tanques com águas-vivas, peixes, tubarões, arraias, tartarugas, corais e pólipos – Fotos: Lisete & Fernanda Göller
 
Seguindo na visita: peixes típicos da região, polvos, pólipos, algas marinhas, que formam verdadeiras florestas, pinguins africanos, ambientes aquáticos e a lojinha de souvenires... Fotos: Lisete & Fernanda Göller

A DESPEDIDA

Hora de voltar ao Brasil, através do Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo, pela South African. Sobrevoamos a False Bay, cruzamos a Península do Cabo, para iniciarmos a travessia pelo Oceano Atlântico. É tempo também de fazer um balanço da viagem. Em poucos dias, conhecemos as cidades mais importantes, visitamos o Parque Kruger, para realizar o esperado safari fotográfico, experimentamos os vinhos da vinícola mais antiga do país, além de admirarmos as suas maravilhas naturais, que revelaram múltiplas faces em temos de beleza e riqueza de espécies animais, como em nenhum outro lugar do planeta. A acolhida das pessoas foi outro diferencial, o que nos deixou muito à vontade. Viajar para este continente foi algo fantástico!


Partindo da África do Sul numa tarde ensolarada, com destino ao Brasil