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domingo, 11 de maio de 2014

Marrocos - Ait-Ben-Haddou


O Ksar de Ait-Ben-Haddou na rota de caravanas entre o Saara e Marrakech


Esta cidade fortificada (ksar, alcácer ou alcázar) feita de tijolos de barro foi fundada por Ben-Haddou no ano de 757, situando-se numa antiga rota de caravanas entre o Saara e Marrakech no sopé do Alto Atlas.


A chegada de turistas anima os comerciantes

É habitada por poucas pessoas atualmente, pois o resto da população vive na parte nova da cidade, cruzando o rio. A cidade já emprestou cenários de filmes famosos, como por exemplo, Lawrence da Arábia e o Príncipe da Pérsia, além de muitos outros.


A antiga cidade cor de terracota revela o seu talento de cenário cinematográfico


Hora do almoço: certamente num restaurante com decoração marroquina...


A conhecida marca de refrigerante na escrita árabe




Marrocos - Asilah


Asilah é comparada aos balneários gregos, com suas casas brancas e janelas e portas azuis


Asilah é uma cidade balneária junto ao Oceano Atlântico, situada no noroeste do Marrocos, a 40 km de distância de Tanger. A velha conhecida dos gregos e fenícios desde a antiguidade foi conquistada pelos romanos no Século I a. C. No ano de 712 conheceu pela primeira vez o domínio árabe, despontando então como movimentado centro de comércio.


A torre defensiva denuncia a passagem dos portugueses por Asilah


As fortificações existentes em Asilah que hoje vemos foram construídas pelos portugueses entre os Séculos XV e XVI. Elas permanecem como legado da conquista lusa que começou durante o reinado de Afonso V no ano de 1461. Neste período, tornou-se um importante entreposto comercial e estratégico. Mas os portugueses acabaram por recuar diante da iminente unificação do Marrocos por parte dos árabes, embora tentassem recuperar sem sucesso esta parte do território de além-mar. Depois disso, sucedeu-se a conquista espanhola, mas acabou por ser devolvida a cidade aos marroquinos.


Fortificação de Asilah

Visitamos Asilah na primavera, quando a temperatura é mais agradável, há menos turistas e as famílias marroquinas já voltaram para as suas cidades de origem. À primeira vista, tem a aparência de uma ilha grega, herança deste passado distante de dominação, quando vemos casas brancas, portas e janelas azuis e trepadeiras floridas pendendo pelas paredes e umbrais. Mas há elementos que denunciam a passagem portuguesa e espanhola durante o percurso pela cidade, como as grades de ferro batido artisticamente desenhadas e a gastronomia oferecida nos restaurantes.


A entrada da Medina de Asilah

A realidade que prevalece, porém, são os elementos da arquitetura árabe que nos acompanham no percurso da velha Medina, secularmente protegida pelas muralhas construídas junto às rochas, com ruas estreitas de paralelepípedos, reduto de pequenas lojas e casas com portas talhadas e janelas de arcos, isto é, a verdadeira essência da cidade marroquina.


Na Medina de Asilah

Aos pés da Medina, está a cidade nova, com restaurantes, caixas eletrônicos, táxis, ou seja, com as coisas de que os turistas precisam. O que fazer em Asilah? Um passeio pela Medina, esperar pelo por do sol, um passeio às praias que podem ser percorridas num camelo ou numa caleche, que é uma carruagem puxada por cavalos, apreciar as pinturas murais nas ruas e participar do Festival das Artes, se for mês de agosto, com artesanatos, tecidos de estampado geométrico e formas vegetais, pufes de couro, todos com preços convidativos. 


Que tal passear numa carruagem pela tranquila orla de Asilah?




Marrocos - Boulmane Du Dadès


Chegando a Boulmane Dadès


A cidade localiza-se no sul do Marrocos, junto ao rio Dadès, cujo vale é uma atração turística pelas paisagens contrastantes entre a vegetação luxuriante e a aridez das montanhas circundantes. É rota de passagem para se chegar às famosas gargantas do Todra.


O belo perfil da cidade terracota, tendo ao fundo as montanhas

A cor das edificações é totalmente terracota. Boumalne Dadès engloba várias aldeias. Nosso destino final era o hotel para o descanso de um dia longo e quente.


Ao pôr do sol, o céu de Boulmane Dadès e o seu reflexo na água

No dia seguinte, percorremos o vale das kasbahs, as fortalezas que protegeram os habitantes dos ataques de tribos nômades. Divisamos oásis com palmeiras, presentes da natureza em prol da sobrevivência dos eternos viajantes do deserto...


Boulmane Dadès e as paisagens contrastantes do Marrocos




Marrocos - Casablanca


A Mesquita de Hassan II em Casablanca, a segunda maior do mundo, superada apenas por Meca

Na costa atlântica do Marrocos, Casablanca é a maior cidade do país, com uma população de 5,5 milhões de habitantes. Foi fundada pelos Berberes, isto é, povos que pertencem ao Magrebe, que habitam a região noroeste da África ou a parte ocidental do mundo árabe. No passado, por ter se tornado um porto seguro para os piratas, foi atacada pelos portugueses, que construíram uma fortaleza militar no ano de 1515. Em torno da fortaleza, estabeleceu-se uma povoação que foi chamada de Casa Branca. 


Prédio do Tribunal de 1ª  Instância

Mas a antiga cidade foi destruída pelo terremoto de 1755, conhecido como o terremoto de Lisboa. Nesta época, por causa de mercadores espanhóis, o nome foi modificado para Casablanca. A partir de 1770, o sultão Mohammed ben Abdallah deu a feição atual à cidade e à Medina de Casablanca.


Na zona central de Casablanca


A Catedral do Sagrado Coração de Jesus

Os franceses chegaram ao Marrocos apenas no início do Século XX, impondo-se à força, mas sob a forma de protetorado, propiciando um desenvolvimento econômico ímpar tanto para a cidade como para o país, que somente se tornou independente da França no ano de 1956.


Os prédios de Casablanca são na sua maioria brancos e alguns deles revelam a arquitetura casablancaise

Casablanca, além dos limites da cidade antiga, é uma cidade moderna, agitada e arborizada, sobretudo com muitas palmeiras. A arquitetura árabe-andaluza vem com sotaque francês, chamada também de arquitetura “casablancaise”. As cores predominantes são o branco e a terracota. A cidade às vezes causa decepção para algumas pessoas, porque elas esperam encontrar uma cidade exótica e colorida...


Um ótimo passeio é andar pela Corniche de Casablanca


A felicidade de Fernanda: depois da chuva, vem o sol em Casablanca 

Visitamos a mesquita de Hassan II, a segunda maior do mundo, logo após a de Meca. Parece estar flutuando nas águas do Mar. Conhecemos a parte externa somente, pois o restrito horário de visitas havia encerrado. Esta mesquita é uma exceção, pois as mesquitas no Marrocos não podem ser visitadas por não muçulmanos.


A Mesquita de Hassan II, além de belíssima, foi construída à prova de terremotos, pois eles acontecem em Casablanca

O minarete tem 200 m de altura, possui iluminação por lasers de grande alcance. O projeto é do arquiteto francês Michel Pinseau, e foi inaugurada em 1993. O edifício possui biblioteca, museu, salas de banho, salas de aula e estacionamento. Aos seus pés está cidade de Casablanca.


O entorno da Mesquita, com piso de mármore decorado

Não encontrei o Café do Rick, do filme Casablanca (foi inspirado num café do sul da França). Mas não se pode deixar de pensar nele e no destino dos personagens na visita à Casablanca. Direção Michael Curiz, 1942, ganhou três Oscars, com Ingrid Bergman e Humphrey Bogart; a história se passa no período da 2ª Grande Guerra. Casablanca fazia parte da rota procurada por fugitivos do regime nazista para chegar aos EUA. Foi rodado em Hoolywood. No filme entram em cena pessoas de diversas nacionalidades, mas os nativos árabes ficaram de fora da trama...










Marrocos - El Khorbat


Situa-se na parte inferior do vale do Todra, no Oasis de Ferkla, a 50 km a leste da cidade de Tinerhir, ao sul do Marrocos. Trata-se de um ksar (cidade fortificada de arquitetura berbere) muito antiga e fortificada, construída de barro no Século XIX.


Na visita a Khorbat o guia local forneceu as informações sobre a cidade e a sua história

De arquitetura simples e sem sinais exteriores de riqueza, encontra-se cercada por palmeiras, parecendo um oásis que surgiu no meio do deserto. 


As palmeiras cercam o pequeno povoado marroquino

Khorbat foi restaurada graças à iniciativa internacional, tentando reapresentá-la ao turismo internacional. Um dos motivos da visita à cidade foi conhecer o trabalho da Associação El Khorbat, que é amparada financeiramente pela Fundação da empresa realizadora do nosso circuito.


Exposição de quadros numa das salas da Associação El Khorbat

Adquirimos algumas peças de artesanato, e os responsáveis retribuíram os gestos de apreço e simpatia oferecendo-nos o famoso chá de hortelã.


Detalhe do restaurante tendo a vista dos palmeirais ao fundo




Marrocos - Erfoud


Uma das ruas da tranquila cidade de Erfoud

Pronunciado como Árfoud, é mais uma cidade-oásis do Marrocos, coberto por uma grande extensão de tamareiras. Situa-se ao sul de Errachidia, às margens do rio Ziz, sendo fundada pelos franceses em 1913, o que explica o traçado ordenado de suas ruas. É rota de passagem para os turistas que vêm à região.


Detalhe do nosso hotel em Erfoud

Assim sendo, ficamos hospedadas nesta cidade, para desfrutarmos dos jardins e piscinas, para renovar as energias que se evaporaram no calor do sol. A aventura estava reservada à noite, quando fizemos uma excursão de carro até Merzouga, com jantar em meio às dunas de Erg Chebbi.


Fernanda num momento de meditação beduína...


A região é muito rica em fósseis: podemos encontrá-los à venda desde pequenas coleções, até grandes e caras peças


Pela estrada afora: camelos de uma cáfila bebendo água e burros disputando o pasto escasso




Marrocos - Fez


Vista de Medina de Fez

Saímos de Erfoud seguindo pelo vale do Rio Ziz, considerado o maior oásis do mundo - com 1 milhão e meio de tamareiras -, na direção norte até a cidade de Fez. Fundada no ano de 808 por Idrís II, a antiga capital do Marrocos foi ocupada desde o início da fundação pelos muçulmanos. Prestigiada como centro cultural e religioso, possui a maior e mais antiga mesquita da África e a mais antiga universidade do mundo ainda em funcionamento. Subimos num mirante para contemplar a cidade. A visão panorâmica da Medina ficou gravada na memória...


Fernanda no mirante que descortina a cidade de Fez

Fez está dividida em três zonas: a antiga, situada dentro das muralhas, a nova, onde está por exemplo a Mellah ou bairro judeu, visitado durante a tarde e a zona Francesa, que é denominada Vila Nova, onde é mais agradável comprar porque os produtos têm preço e não há necessidade de pechinchar. 


As muralhas da Medina de Fez possuem várias portas de entrada

Fez também quer dizer chapéu, gorro ou tarbush, aquele chapeuzinho em formato de queijo redondo, na cor vermelha e com uma borla de fios de seda preta. Uma espécie de símbolo do Marrocos. Eles também são encontrados na Turquia. Vem-me à lembrança a novela O Clone, cuja história se passa em boa parte do tempo na cidade de Fez. Quem não se lembra das cubas ou tanques usados para curtir couros? Parecem grandes células, contendo tintas coloridas que apareciam em muitas das cenas...


Neste local ficam os curtumes: para vê-los tivemos que subir vários lances de escadas com um ramo de hortelã no nariz...

Como são curtidos os couros? Os tanques claros contêm excremento de pombos e os demais tanques urina de camelo ou de dromedário: isto explica o cheiro!


Os tanques onde são curtidas as peças de couros: Hare Baba, que fedor!

Dentre os pontos de interesse está o Palácio Real, que de imediato chama a atenção, pois possui portas de bronze que parecem ouro reluzindo ao sol. O palácio foi construído no Século XIV, não sendo permitidas visitas. O Rei o utiliza, quando viaja para Fez. O Palácio faz parte de um complexo que abriga uma mesquita, uma madrasa (escola) e um jardim zoológico.


O Palácio Real de Fez possui 7 portas, que significam os dias da semana e os níveis da monarquia marroquina


Nem tudo o que reluz é ouro: as lindas portas de bronze são emolduradas por ladrilhos de cerâmica


Inscrições na língua árabe na fachada do Palácio Real


Mausoléu de Sidi Ahmed Tijani


Detalhe da arquitetura marroquina


Fonte na Praça Nejjarine


Cena do mercado (souk)


O mercado possui ruas estreitas e com uma infinidade de estabelecimentos comerciais: à tarde o movimento é inimaginável...


هدية التفاف، من فضلك! (Tradução: Embrulhe prá presente, por favor!)


A sede do Corpo de Bombeiros na Medina de Fez!


Um cantinho desses lá em casa seria tudo de bom!


O nosso almoço de despedida de Fez no Restaurante Palais La Medina